1 de julho de 2008

Investment Grade

Publicado em 24/5/2008, no site do Correio Braziliense, Blog do Vicente Nune
scoluna A Psicologia e o Dinheiro


Acho uma maravilha essas entidades que provêem os mercados financeiros de informações sobre crédito, investimento e avaliação de risco. Isso permite aos investidores tomar decisões com mais confiança. Fico pensando como seria legal se tivéssemos instrumento assim para lançar mão nos relacionamentos amorosos. Já imaginaram uma Standard & Poor’s do Amor ?

Não vai longe o tempo em que as pessoas procuravam se conhecer antes do casamento. O noivado, nesse propósito, era determinante, um período de mais intimidade também entre as famílias, momento em que tudo e todos eram avaliados pelos dois lados. Não faltavam palpites quanto ao futuro da união – uns ótimos, outros péssimos, muitos bons. De qualquer forma, informações.

Hoje, não existe nada disso. As criaturas mal se conhecem e já vão pra cama. No período que deveriam dedicar ao namoro, começam a viver juntas. Muitos só vêm a conhecer a família do parceiro quando viajam para apresentar o neto aos avós. E há casos em que a separação acontece sem que os pais do marido tenham tido a oportunidade de conhecer os pais da mulher. Muito diferente do mercado financeiro, em que, inteligentemente, cada vez mais, as pessoas procuram se proteger.

Já imaginaram se, ao se interessar por alguém, a gente, de posse do CPF e do RG do outro, tivesse acesso a dados como estado civil; situação econômico-financeira; estado de saúde física e mental; estado de espírito de filhos e ex-mulheres; possíveis envolvimentos com a justiça, escândalos do Orçamento, Comando Vermelho ou Máfia Russa; casos de infidelidade; falta de convicção quanto à orientação sexual; religião; fantasias; dotes em geral, inclusive aqueles, por que não?, tudo isento de parcialidade e resumido em três letrinhas e um sinal, como BBB- e AAA+?

Logicamente, assim como acontece nas finanças, nem sempre as agências estariam de acordo. No começo deste mês, por exemplo, a Moody's Investors Service, ao contrário da Standard & Poor’s, negou ao Brasil a promoção ao grau de investimento, tal qual acontece quando a mãe da gente não suporta justamente aquele mesmo rapaz que nosso pai A-DO-RA e já trata como genro querido. Que dureza!

Isso sem falar nos casos em que ninguém acredita que a relação possa dar certo, só aquela vovozinha sabida que chama a gente num canto e diz: “Não se prenda a bobagens. O sujeito vale a pena!”. Exatamente como no caso do executivo Warren Buffett, considerado o homem mais rico do mundo pela Forbes, que ganhou muito dinheiro com o Real antes mesmo de o Brasil ser considerado um destino seguro para aplicações. Eta cara esperto! Viu o que ninguém mais via, arriscou e se deu bem.

Com algo assim, garanto que muitos dos casamentos não se realizariam e, conseqüentemente, muitos dos divórcios também não. Para o meu consultório, acredito que até seria financeiramente ruim. Mas penso que sobraria mais tempo pra gente investir em outras coisas se parássemos de ficar entrando e saindo de operações sentimentais que sempre terminam em prejuízo. Valeu irmã! Até sábado!

Maraci Sant'Ana

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